C   redit
E mesmo com todas as estrelas mostrando que não, eu devia ter resistido a você. Devia ter mantido a distancia necessária, onde não fosse possível me apaixonar por você, me apaixonar pela sua voz, pelo jeito torto como sorri quando fica sem graça. Eu devia ter me preparado para pular desse precipício, não sei ainda se vou resistir as pedras em que vou bater nessa queda, não sei a altura de eu pulei, porque quando saltei eu só enxerguei você, só ouvi você me pedindo para ficar com você e eu deixei tudo. Deixei as dores, as feridas ainda um pouco mal curadas e me joguei sem medo. Mas eu devia ter me assegurado. Eu não sei mais se consigo me ver sem você e isso é estranho, é aterrorizante. Eu não podia precisar de você, eu não podia querer tanto você por perto. Eu não podia tanta coisa.
— Eu não devia ter me apaixonado por você.  
CARTA AOS USUÁRIOS
Pensei em falar sobre o amor, mas depois achei comum, rotineiro já que hoje tem se ouvido tanto essa palavra ou, que sejam, variâncias dela. Parei e pensei mais um pouco e me recordei que o amor é e sempre vai ser o que move todas as coisas, todas as ações. Faz um tempo, um bom tempo que o amor, puro e simples tem sido subtraído, e em seu lugar, outros vem se passando por ele.
Por amor não se mata, mas se morre, não faz adoecer, faz curar. O amor é, acima de tudo simples, flexível e se permite moldar. Quando há amor, há alegria, há amizade, cumplicidade. Há saúde, há cor, há VIDA. Esse sentimento não está preso nos livros, nos finais felizes, e sim aberto e livre para todos que assim quiserem.
Peço, ao final disso tudo, encarecidamente, não maltratem, não desfaçam, nem por pouco o abandonem. O amor é frágil, se quebra e como uma porcelana, nem com s melhor cola já criada, sem novamente o que já foi.
Far de amor é clichê, é brega e é o que me move, o que move o mundo.
— Ah o amor…
Vou te contar uma história…
Duas pessoas se amam, muito. Eles tem boas lembranças, eles tem um pedaço do outro dentro de si, mas eles nunca, nunquinha, vou poder ficar juntos por milhões de motivos.
Cada detalhe tem significado, cada sms com qualquer banalidade, cada sorriso bobo roubado, cada manhã quando o primeiro pensamento for o outro. Tudo faz sentido, se tiverem um ao outro por mais diferenças que existam, eles sabem disso. Sabem como o céu é azul, sabem como 2 e 2 são 4. Está nítido nos olhos deles, ta descrito no sorriso, no semblante distraído ouvindo aquela música, aquela que tocou em algum momento que eles fazem questão de lembrar. Mas eles ainda não admitem, eles não podem. Então, depois de cada briga, dizem aquele “eu te odeio” e “vai embora” na esperança que na manhã seguinte, acorde com o de sempre, o “Eu te amo, eu não consigo te deixar”. Então eles seguem assim, se enganando, e vivendo por mais cinco minutos do outro, querendo fazer o tempo parar para que eles pudessem viver isso tudo sem tantos poréns. Mas isso é impossível, por mais que queiram, por mais que desejem e não há outra forma há não ser viver uma vida inteira em pedaços.
E assim vão eles, tento dentro de si, a certeza que ninguém nunca vai amar como eles amam um ao outro. E assim a vida de cada um segue, distantes e com a lembrança de um sorriso sendo o que faz cada um levantar pela manhã e ter vontade de tentar.
— sem final feliz, pelo menos por enquanto.
E é exatamente assim, do jeito que é. Quero ficar com você até os dias acabarem e o sol se apagar. Quero ter a certeza que vou ver seu sorriso e pertencer ao seu abraço, vou olhar pra você e saber que amanhã vou continuar tudo igual, perder meu medo e me permitir nascer de novo a cada dia, ser nova, me fazer melhor por mim e por tudo que tiver pra chegar.
— Clara Verdan
Respirei fundo, parei por um minuto e repeti para mim algumas vezes que eu não podia, eu não devia. Senti como se tudo estivesse fora do meu controle, indo rápido demais e o medo tomou conta de mim, medo do que vem depois. Não posso fingir que sei lidar, não posso simplesmente agir como se fosse a primeira vez e mergulhar de cabeça num lago escuro. Conheço bem cada pedra e cada pedaço fundo dele, pelo menos um vez vou ser sincera comigo.
É inevitável não lembrar, os fantasmas voltam a todo instante e como um álbum antigo, trazem boas e más recordações. Eu havia prometido não me permitir cativar, nunca mais e olha só para mim algora. Eu me apaixonei e não como agir, só sei que não posso mais pensar em você longe.

"Eu não sei mais o que faço se perder você de vista"

-Clara Verdan

Eu não devia, não podia mesmo me sentir segura assim com você. Não podia sentir essa falta, essa vontade de falar, ver e sentir. Eu tenho medo porque isso parece ser o que realmente é. Eu estou definitivamente me apaixonando por você, porque de alguma forma é o que eu precisava que fosse, de alguma forma se fez aqui e se torna parte do dia indispensável cada vez mais. Pensamento inevitável.
— Clara Verdan 
A única vez que me permitir sonhar foi com você, sonhei em ver você com cara de sono me dando bom dia, eu fazendo um café numa manhã cinza e te pedindo pra ficar em casa. O despertador iria tocar e a gente ia correr pela casa pra não nos atrasar, eu ia rir de você vestindo a calça subindo a escada e ia sentar pra te olhar escovar os dentes. Você ia me olhar pentear o cabelo e olhar no relógio algumas vezes enquanto eu me maquio, mas não ia dizer nada, só sorrir daquele jeito bobo, com o canto da boca que me deixa sem graça e toda vermelha. E depois a gente ia cada um pra seu lado trabalhar e esperar pra ir pra casa de novo no fim do dia, pra poder te olhar com cara de cansado e te abraçar sem dizer nada quando chegasse. Eu me permitir imaginar tanta coisa, eu me permiti amar você e olha no que deu?

Você foi o que eu quis, mas o que não ficou.

Clara verdan

A gente ria de nada, a gente conversava de tudo e a gente se perdeu. Eu te procurei, quis por muitas vezes te encontrar sentado no mesmo banco de sempre e dizer tudo que o sentia, abraçar você pela ultima vez e me sentir segura como antes. Quis dizer que te odiava, que odiava todo o tempo que perdi com você e que cada minuto que perdi com você não fazia mais sentido, que eu queria de volta tudo e que podia levar com você todas as lembranças, porque essas fez questão de deixar aqui. Eu quis na maioria das vezes uma explicação, um porque, mas depois entendi que nem você sabia, que ainda ta confuso e se um dia quiser voltar te quero por inteiro, te quero completo. Só me avisa se for voltar, porque não vou te perder de novo.
Clara Verdan
Tchau, e por um tempinho.

Preciso de um tempo sozinha comigo, não to me achando na minha bagunça. 

Isso é uma doença, uma doença que eu não quero me curar, não quero me tratar e essa dor é só uma forma de sentir você perto e achar que ainda está aqui. Ninguém entende e vou parar de tentar explicar, dói. Vou continuar tendo você aqui dessa forma maluca mesmo, mas só pra mim, sem dizer a ninguém o quanto tô morrendo todos os dias ou o quanto quero ter você aqui. Eu cansei de ouvir as mesmas coisas sobre você.
— Clara Verdan 
Sou bagunçada, desajeitada e preciso de abraços sem perguntas. Eu não sou engraçada, atuar o tempo todo é suicídio.
— Clara Verdan
Ei, você podia ter me avisado que não ia voltar dessa vez. Ainda não me acostumei com isso e não vou entender também, eu ainda sou criança e preciso de você pra me contar histórias, me dizer que a vida já mudou muito e que na sua época as coisas eram diferentes. Às vezes eu tento pensar que você só foi ali na padaria e que já volta me chamando pra sentar, dizendo que o leite está quente e pra eu tomar cuidado… outras, imagino você lá no quintal, colhendo suas verduras, ai a vó vai te chamar e você vai subir rindo do desespero dela, vai pra rua vender salgado e voltar com alguns sobrando rindo mandando minha vó dá pra gente. Você nunca se chateou por não vender tudo, você nunca se chateou por nada, lembra? Tão calmo sempre, com uma paciência que era bonito de ver. Sabe, careca, eu sinto sua falta, só queria ter me despedido…
— Ei, podia ter me avisado. 
Acordei às 3 horas da manhã assustada com um pesadelo, coloquei uma música pra escutar e me peguei perdida nos meus pensamentos. Podia ser tudo mentira, amanhã eu devia acordar com 10 anos e minhas únicas preocupações seriam a lição pra segunda que eu ainda não tenha feito. Eu não costumava passar tantas noites em claro, ter tanto mau humor. Lembro bem, eu tinha costume de rir, sonhar… não sei onde guardei aquela menina, vai ver ela se escondeu com medo disso tudo. Medo. Meu problema, está sempre aqui, falando mais alto que tudo. Ele sabe o que diz, mas sempre resolvo não ouvi lo na hora errada.
— Clara Verdan 
Está tudo tão escuro, apagado. Eu realmente acho que tô envelhecendo, talvez até morrendo aos poucos. Quem sabe eu precise de risadas atoa, violão na calçada, fugidas da escola e madrugadas de filmes e chocolate…
— Envelheci e esqueci como se sonha…   
E agora é esse sorriso que engana quem não me conhece, esse “tudo bem” que todo mundo aceita… Menos você, sabia que eu não estava bem antes de abrir a boca, chorei tantas vezes sem você nem querer saber motivo antes que eu chorasse por horas até me acalmar. Eu não sei mais de você, do que faz ou o que precisa. Eu nem sei se te conheço mais…
— Clara Verdan