“A única vez que me permitir sonhar foi com você, sonhei em ver você com cara de sono me dando bom dia, eu fazendo um café numa manhã cinza e te pedindo pra ficar em casa. O despertador iria tocar e a gente ia correr pela casa pra não nos atrasar, eu ia rir de você vestindo a calça subindo a escada e ia sentar pra te olhar escovar os dentes. Você ia me olhar pentear o cabelo e olhar no relógio algumas vezes enquanto eu me maquio, mas não ia dizer nada, só sorrir daquele jeito bobo, com o canto da boca que me deixa sem graça e toda vermelha. E depois a gente ia cada um pra seu lado trabalhar e esperar pra ir pra casa de novo no fim do dia, pra poder te olhar com cara de cansado e te abraçar sem dizer nada quando chegasse. Eu me permitir imaginar tanta coisa, eu me permiti amar você e olha no que deu?”
—
Você foi o que eu quis, mas o que não ficou.
Clara verdan
“A gente ria de nada, a gente conversava de tudo e a gente se perdeu. Eu te procurei, quis por muitas vezes te encontrar sentado no mesmo banco de sempre e dizer tudo que o sentia, abraçar você pela ultima vez e me sentir segura como antes. Quis dizer que te odiava, que odiava todo o tempo que perdi com você e que cada minuto que perdi com você não fazia mais sentido, que eu queria de volta tudo e que podia levar com você todas as lembranças, porque essas fez questão de deixar aqui. Eu quis na maioria das vezes uma explicação, um porque, mas depois entendi que nem você sabia, que ainda ta confuso e se um dia quiser voltar te quero por inteiro, te quero completo. Só me avisa se for voltar, porque não vou te perder de novo.”
— Clara Verdan
Tchau, e por um tempinho.
Preciso de um tempo sozinha comigo, não to me achando na minha bagunça.
“Isso é uma doença, uma doença que eu não quero me curar, não quero me tratar e essa dor é só uma forma de sentir você perto e achar que ainda está aqui. Ninguém entende e vou parar de tentar explicar, dói. Vou continuar tendo você aqui dessa forma maluca mesmo, mas só pra mim, sem dizer a ninguém o quanto tô morrendo todos os dias ou o quanto quero ter você aqui. Eu cansei de ouvir as mesmas coisas sobre você.”
“Sou bagunçada, desajeitada e preciso de abraços sem perguntas. Eu não sou engraçada, atuar o tempo todo é suicídio.”
“Ei, você podia ter me avisado que não ia voltar dessa vez. Ainda não me acostumei com isso e não vou entender também, eu ainda sou criança e preciso de você pra me contar histórias, me dizer que a vida já mudou muito e que na sua época as coisas eram diferentes. Às vezes eu tento pensar que você só foi ali na padaria e que já volta me chamando pra sentar, dizendo que o leite está quente e pra eu tomar cuidado… outras, imagino você lá no quintal, colhendo suas verduras, ai a vó vai te chamar e você vai subir rindo do desespero dela, vai pra rua vender salgado e voltar com alguns sobrando rindo mandando minha vó dá pra gente. Você nunca se chateou por não vender tudo, você nunca se chateou por nada, lembra? Tão calmo sempre, com uma paciência que era bonito de ver. Sabe, careca, eu sinto sua falta, só queria ter me despedido…”
— Ei, podia ter
me avisado.
“Acordei às 3 horas da manhã assustada com um pesadelo, coloquei uma música pra escutar e me peguei perdida nos meus pensamentos. Podia ser tudo mentira, amanhã eu devia acordar com 10 anos e minhas únicas preocupações seriam a lição pra segunda que eu ainda não tenha feito. Eu não costumava passar tantas noites em claro, ter tanto mau humor. Lembro bem, eu tinha costume de rir, sonhar… não sei onde guardei aquela menina, vai ver ela se escondeu com medo disso tudo. Medo. Meu problema, está sempre aqui, falando mais alto que tudo. Ele sabe o que diz, mas sempre resolvo não ouvi lo na hora errada.”
“Está tudo tão escuro, apagado. Eu realmente acho que tô envelhecendo, talvez até morrendo aos poucos. Quem sabe eu precise de risadas atoa, violão na calçada, fugidas da escola e madrugadas de filmes e chocolate…”
— Envelheci e esqueci como se
sonha…
“E agora é esse sorriso que engana quem não me conhece, esse “tudo bem” que todo mundo aceita… Menos você, sabia que eu não estava bem antes de abrir a boca, chorei tantas vezes sem você nem querer saber motivo antes que eu chorasse por horas até me acalmar. Eu não sei mais de você, do que faz ou o que precisa. Eu nem sei se te conheço mais…”
“Está tudo tão escuro, apagado. Eu realmente acho que tô envelhecendo, talvez até morrendo aos poucos. Quem sabe eu precise de risadas atoa, violão na calçada, fugidas da escola e madrugadas de filmes e chocolate…”
— Envelheci e esqueci como se
sonha…
“Sabe, tô feliz. Feliz de voltar a escrever e dessa vez não é sobre você. Esse não.”
— Clara
“Eu converso sozinhas às vezes, me imagino fora disso que chamam de mundo hoje. Eu sinto falta de de mais amor, de mais doação, pessoas sorrindo uma pras outras na rua. Velhinhos sentados nas calçadas, bom dia, boa tarde senhora. Boa noite. Se costumava ter mais educação, simpatia, se costumava sonhar e não ter medo de falar deles. Hoje o mundo é inveja, dor e choro. Onde aqueles sorrisos se esconderam, eram sinceros, amor. Eu sei que sim.”
“Sabe como é perceber que você está melhor sem mim? Eu sei que eu disse que ia focar bem, mas eu não tô bem. Eu preciso de você, eu preciso de alguém pra entender, saber que tem algo de errado só de olhar pra mim, eu preciso do seu abraço, do seu colo.”
“Lembrei de muita coisa hoje, de novo. Mas foi diferente, não doeu… eu lembrei das músicas que costumava ouvir, das coisas que eu pensava, dos planos que fazia e percebi que eu realmente não dependo de você para ser feliz, eu vou conseguir sem você, sempre consegui não é? Eu vou voltar para mim, ando precisando das minhas próprias dores, do meu próprio colo. Vou me colocar nos eixos. Depois de semanas é a primeira coisa que escrevo sem chorar, com esse sorriso bobo na cara e da próxima vez que me perguntarem se eu tô bem, não vou mentir. Eu to bem, eu vou ficar bem. E pensar que o que me fez pensar nisso tudo foi um cara com uma roupa legal, tocando violino no sinal e parecia que a única a prestar atenção era eu e minha cara de boba. Obrigada homem do violino, me fez lembrar das coisas bonitas e simples da vida, que um sorriso vale mais a pena que uma noite inteira de lágrimas. Me lembrou que a vida é feita de pequenos espetáculos, sorrisos e música. A vida é sinfonia pura, afinação que cada um faz como quer.”
— Clara Verdan
“Eu não sou perfeita, nem quero ser. Só tô pedindo um pouco de paciência, eu ando meio fora de órbita, mas vou me organizar devagar. Me dá só um tempo.”